Mulheres no mercado de trabalho: vamos conversar?

Ser mulher no Brasil é conviver com diversas expectativas. O estigma místico do que é o feminino – o outro, o desconhecido, o complexo, o cíclico – faz com que todas nós sejamos colocadas em caixinhas que muitas vezes não condizem com a nossa identidade.

Uma delas, para Virginie Despentes em “A Teoria King Kong” – leitura que não veio para ser agradável – é a de que não podemos ser viris. Ela deixa claro, já que esquecemos muitas vezes, que temos direito a não servir e, por incrível que pareça, de sermos desagradáveis.

“O exercício direto do poder é aquele que nos permite chegar a qualquer lugar sem ter que sorrir para três fulanos quaisquer, esperando que nos contratem para tal posto ou que nos confiem alguma coisa. O poder que permite ser desagradável, exigir ir direto ao ponto. E esse poder não é mais vulgar se exercido por uma mulher do que por um homem. Espera-se que renunciemos a esse tipo de prazer em função do nosso sexo.”

Quanto mais eu penso sobre o empreendedorismo feminino mais me afasto de sua definição. É comum quando nasce um movimento dentro de um mercado gerenciado por outro grupo que se construa antônimos dentro de dualidades. Se é feminino é oposto ao masculino. Porém, acredito que, quanto mais nós nos comparamos, mais longe ficamos do que é a nossa essência nos negócios – espaço cada vez mais desejado por nós.

Para ter uma ideia de como anda o avanço das mulheres nos negócios, em 2014, 51,2% dos empreendedores que iniciaram negócios eram mulheres. A principal motivação é a liberdade financeira – muito em reflexo da crise – mas percebemos outros pontos considerados importantes e que, até acontecer esse aumento das mulheres na frente de suas empresas, não eram relacionados ao mundo business. Encontrar-se na sua profissão, ter um propósito, fazer algo que possa ajudar não só a si mas à comunidade são algumas das razões que levam cada dia mais mulheres a se lançarem na aventura empreendedora.

Por mais que falar de empreendedorismo relacione rapidamente aos negócios, percebo que ser a criadora de um negócio é muito mais do que ter um CNPJ para chamar de seu, e sim uma atitude pró-ativa. Esse comportamento pode se manifestar em quem tem carteira assinada, é freelancer, autônoma ou o nome que se quer dar. São as pessoas que não aceitam as coisas como ela são, que acreditam que há um outro caminho que possa ser descoberto, que preferem fazer do que esperar que tudo se resolva.

Mas quem são essas mulheres que se identificam com esse perfil empreendedor? Que acordam todos os dias e gerenciam não só suas vidas mas também suas profissões?

Começando por Porto Alegre, nós queremos conhecer um pouco melhor essas profissionais que estão ativas no mercado de trabalho. Pode ser CLT, freelancer, freela fixo, empreendedora, empresária, o que importa para nós é ouvir a sua opinião.

Para participar do nosso estudo, basta clicar aqui. Serão 10 minutinhos que irão nos ajudar a construir juntas novos espaços para as mulheres liderarem no mundo dos negócios.

Gabriela Teló

Gabriela Teló