E se você estivesse comprando couro de cachorro?

E se você estivesse comprando couro de cachorro?

Na cultura ocidental comer carne e usar couro – de vaca, porco, ovelha ou peixe – é completamente normal. Fazemos isso há séculos sem nunca dar muita atenção ou parar para pensar que aquele bife, ou bolsa e sapato, eram partes de um animal, vivo e senciente.

Na verdade, conforme os anos passam, a tecnologia avança e o ritmo do mundo fica cada vez mais acelerado, cada vez nos distanciamos mais dos processos de produção dos produtos e alimentos que compramos.

Mas e se comprássemos uma luva, como de costume sem olhar na etiqueta de composição, e depois víssemos que nela está escrito “couro de cachorro”? Como você se sentiria usando uma luva de couro de cachorro?

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Como já é de conhecimento da maioria, na Ásia, principalmente na China e na Coreia é completamente normal matar cachorros para comer. O couro logo é aproveitado pela indústria da moda chinesa, que fornece roupas e produtos para o mundo todo, normalmente sob o nome de “couro de cordeiro” (porque no ocidente vender couro de cachorro pega mal).

Quem acompanha mais de perto as noticias da moda ou dos direitos animais, já sabia das grandes chances de, ao comprar produtos “feito na china” de “couro de cordeiro”, podermos estar comprando, na verdade, um produto feito com couro de cachorro.

Porém, foi em dezembro do ano passado que o PETA soltou vídeos, fotos e todas as suas informações após uma pesquisa de um ano dentro de um matadouro de cachorros chinês para o mundo. É claro, as notícias chocaram o ocidente – o impacto de ver um animal com o qual estamos acostumados a dividir a casa, e até mesmo a cama, brincar, jogar bolinha, abraçar, sendo morto (em condições terríveis, só vejam o vídeo se forem fortes) para virar comida e couro foi realmente chocante para alguns.

Para outros, se fazemos isso com vacas, ovelhas e porcos, que são comprovadamente mais inteligentes que cachorros, seria hipócrita apontar qualquer problema na cultura coreana e chinesa de comer cachorros.

Além do PETA, a agência mundial de noticias Reuters também visitou um curtume chinês e reforçou as investigações do PETA ao afirmar que peles de cachorros eram deixadas no sol para secar junto com outras peles.

Quando questionada sobre como não compactuar com esse mercado, a diretora do PETA, Ingrid Newkirk, disse: “Não comprar roupas baratas vindas da Ásia e fazer opções de roupas e acessórios veganos”.

“Quando há tantos tecidos amigos do ambiente e livre de crueldade disponíveis, desde a moda de luxo até a moda fast-fashion, não há nenhuma razão para cães, gatos, vacas, ovelhas, porcos, cabras e outros animais sofrerem por causa da moda “, ela acrescentou.

O Ministro da Agricultura chinês e os responsáveis pela Assossiação de Industrias Do Couro da China recusaram a falar com todos os jornais que os procuraram.

Apesar de serem frequentes as notícias de crueldade contra os animais na China, é importante lembrar que isso acontece todo dia, no mundo todo, com todo e qualquer tipo de animal. Por isso, nossa missão é reforçar a moda livre de crueldade, é incentivar as pessoas a lerem a etiqueta e entenderem que produtos muito baratos produzidos na Ásia escondem crueldades com animais, humanos e meio ambiente que não conseguiríamos enumerar aqui.

Que tal começar dar preferência a marcas que têm um preço justo ao invés de escolher o mais barato? Acompanhe as marcas brasileiras, feitas localmente, que você tem a chance de conhecer os donos e entender seus valores e ideais. Entender os produtos antes de comprá-los é um caminho sem volta, mas muito feliz e recompensador, prometo. ;)

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