Um dia no centro de Belo Horizonte

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Um dia no centro de Belo Horizonte

Minas Gerais é doce e simpática em todo canto, dos interiores à capital. Mesmo o centro de Belo Horizonte tem toda a queridice mineira que eu imaginava, e com direito a muita coisa legal para fazer e comer (inclusive vegetarianas, pra minha felicidade).

Na minha visita, fiquei pela área central de BH, e para mim pareceu o melhor lugar do mundo para quem ama diversidade e passeios a pé. Numa cidade cheia de sobe-desce, caminhar no clima suave pelo centro quase plano e descobrir seus cantinhos e cheiros é o paraíso.

A cidade é ótima para quem está disposto a uma experiência que mistura, como poucos lugares que conheci, o melhor do tradicional e da vanguarda.

O centro de BH é cinza e verde. E ótimo pra conhecer a pé.

O Mercado Central e as delícias democráticas

Estamos em Minas. Comecemos pela comida. BH é perfeita para comer carnes e queijos. Mas também é muito generosa com vegetarianos como eu. No Mercado Central a gente encontra todas as delícias em muitas versões. Não perdi a experiência da culinária mineira no tradicional Casa Cheia, no segundo piso. Um bom mexido virou veg com muita naturalidade. O prato, um arroz com verduras bem temperado, vai bem com uma mandioca cozida à mineira.

Saindo de lá e voltando ao primeiro piso, em meio a canequinhas e cachaças, você pode ter a sorte, como eu, de dar de cara com o Roça Capital. Enquanto escolhe entre geleias e outras iguarias para levar, pode comer o melhor do pão de queijo de Minas com um cafezinho na caneca de alumínio.
Edifício Maletta para todos os gostos
Tem mais comida boa, gente interessante e energia apaixonante no Edifício Maletta, um símbolo de Belo Horizonte – e que virou de longe meu lugar preferido de lá. Na esquina da Avenida Augusto de Lima com Rua da Bahia, ele foi refúgio durante a Ditadura Militar e abrigou muitos artistas e intelectuais. Hoje, segue como o principal ponto de encontro da diversidade e da tolerância da cidade.
Quem entra pela primeira vez demora um pouco a captar a coisa. Mas é só subir a escada rolante (que não rola há muito tempo) e encontrar os bares no segundo piso. É amor imediato.
Durante o dia, o Las Chicas serve aquele almoço vegano sem frescura, com muito sabor e baratinho. O cafezinho pode ser tomado no Marcelina Belmiro, bem na varanda, onde tudo é orgânico. Bolos, brownies e café passado à escolha do freguês. O Marcelina também serve almoço e simpatia infinita.
Um cafézinho no Marcelina Belmiro, na varanda do Edifício Maletta.

O Arcângelo Café é outro com bons pratos para todas as horas. O risoto de limão é famoso, mas vegetarianos têm seu lugar no coração do querido argentino Santiago. Ele improvisa um prato feito com arroz, feijão e outras delícias muito coloridas para substituir a carne.

Mas de noite, o Olympia Coop Bar é parada obrigatória. O lugar é uma cooperativa e tem a maior diversidade de gênero que eu já vi. É uma coisa linda de se ver enquanto se come a famosa coxinha de jaca, digna do melhor dos cardápios veg. Tudo é vegetariano e saboroso demais.

 

A Praça da Liberdade e os museus

Um dos lugares lindos para passar o dia é a Praça da Liberdade. Feita para abrigar a sede do poder mineiro, hoje ela é rodeada pelo neoclássico, por art déco e por Niemeyer, na Biblioteca Pública e no Edifício Niemeyer.

Estar na Praça da Liberdade num domingo já é uma experiência cultural. Enquanto de um lado você pode ouvir um bom jazz ao ar livre, do outro pode assistir a cosplays. Mas recomendo entrar nos prédios em volta, por melhor que esteja o clima lá fora. O Memorial Minas Gerais é ideal para quem, como eu, já se sentia inspirado pela cultura mineira mesmo antes de ir pra lá.

O museu tem acervo dos principais artistas mineiros: Guimarães Rosa, Sebastião Salgado, Lygia Clark e tanta gente genial (nunca tinha reparado como Minas consegue produz tanta gente genial!). Também tem espaços com a história e a cultura do estado num estilo muito atraente e interativo. Rola inclusive presenciar os diálogos da conspiração da Inconfidência Mineira. Tudo isso regado a um concerto no jardim central.

Do outro lado da rua tem ainda o CCBB, que traz exposições de artistas internacionais como Mondrian, que estava por lá na minha visita.

Ver grandes artistas, como Mondrian, no CCBB já faz valer a visita a BH.
Ver grandes artistas, como Mondrian, no CCBB já faz valer a visita a BH.

 

A feirinha hippie e o parque

Como é cidade grande, o melhor mesmo é aproveitar a região num domingo. É mais tranquilo, e ainda tem a “feirinha hippie” no Parque Municipal. Não entendi o porquê do nome, porque vende do artesanal ao produto da china, mas vale o passeio para ver gente diferente e interessante. Porque essa, no fim das contas, é a melhor coisa de BH!

O bom é aproveitar para conhecer o parque, que fica ali do lado, mas nem tanto. Como muitas no Brasil, essa é mais uma das cidades que caiu na armadilha de cercar o verde. Mas entrando pelo portão, é lindo de ver o parque de diversões e os laguinhos. Ao lado está o Palácio das Artes, por onde passam os principais artistas e eventos culturais na cidade. Vale dar uma olhada na agenda antes de marcar a viagem.

Parque Municipal de BH: para ver gente interessante e curtir o verde.
Parque Municipal de BH: para ver gente interessante e curtir o verde.

Mas como eu disse, Minas Gerais é doce e simpático em todo canto. Então dê uma passadinha pelo encantador Santa Tereza, suas casas e bares. Vá a Savassi, à Pampulha e à Praça do Papa. Conheça o interior e visite Inhotim. Mas conheça Minas e os mineiros, e prepare-se para voltar pra casa leve e cheio de paz.

Luana Fuentefria

Luana Fuentefria

Vegetariana e ciclista, acredita que a vida está na rua a mudança está na micropolítica. Tenta praticar diariamente a colaboração, o consumo consciente e a gentileza por um mundo com novas relações pessoais e econômicas. Criou a Sopro Conteúdo Digital para ajudar as empresas a se comunicarem de forma mais humana e as pessoas a ressignificarem o que compram.