Que tal comer a roupa que você um dia vestiu?

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Que tal comer a roupa que você um dia vestiu?

Na natureza não existe lixo. Já reparou? Quando você anda no meio de uma trilha ou observa uma floresta não encontra saquinhos de plástico com folhas secas que as árvores não querem mais, esperando ser recolhidas pelo pessoal da coleta seletiva.

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As árvores absorvem os nutrientes das folhas que caem e tudo que chega ao fim de seu ciclo alimenta o começo de novos ciclos. A folha caída vira adubo e não um material poluente que vai contaminar o solo e a água de onde as plantas irão buscar seus nutrientes.

Quem criou o mecanismo vigente, linear e tóxico de descarte para lidar com os rejeitos fomos nós, seres humanos. Se hoje achamos normal empilhar toneladas de coisas em lixões, acredite, isso não é nada natural. No fim, tudo que não queremos mais deveria gerar mais vida e não destruição. A compostagem é a forma mais acessível da gente entender e vivenciar esse ciclo se fechando dentro da nossa própria casa. E, além disso, contribuindo.

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Seguindo esta linha de raciocínio, todo o tecido, depois de usado, deveria retornar ao ciclo sendo nutritivo e não poluindo. Ou seja, num mundo ideal, a gente deveria poderia comer o que um dia já vestiu.

Até hoje eu não havia visto nenhuma marca encarando de frente este desafio, até ver esta iniciativa da Houdini, uma marca de esportes, que desenvolveu uma linha com fibras e materiais tão naturais, que o seu composto.

Enquanto isso não é possível de ser feito em larga escala, a gente deve tentar ao máximo estender a vida dos tecidos. Como falei no meu último post por aqui, buscando reaproveitar até os mínimos retalhos. Mas além de estender a vida útil, nós podemos buscar seguir a mesma lógica e compostar pequenos pedaços de tecido ou usá-los como fundos de vaso.

Para se aprofundar mais no assunto do reaproveitamento de tecidos, leia o guia escrito por mim em parceria com a Oficina de Estilo sobre o tema. 

 


Mariana Pellicciari

Mariana Pellicciari

Mari Pelli gosta de investigar de onde as coisas vêm, como são feitas e como a gente se relaciona com elas. Por isso cria e articula projetos como o Roupa Livre, onde propõe mais carinho, cuidado e afeto com o que vestimos. Deixou de trabalhar no ambiente publicitário para colocar suas habilidades como comunicadora à serviço de iniciativas que promovam novos olhares para o mundo. Faz isso atualmente através do Hell Yeah. Paulista, mora em Floripa para conviver com a natureza e aprender com seus ciclos e ritmos.