O lado sujo dos sabonetes antibacterianos

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O lado sujo dos sabonetes antibacterianos

Sabonetes, pastas de dentes, produtos de limpeza, shampoos e grande parte dos produtos cosméticos, de limpeza e higiene pessoal contêm triclosan. Basta ler o rótulo para rapidamente encontrar esse nome – ou algo parecido como triclocarban – escrito ali na composição. Mas não para por ai, triclosan pode ser encontrado em uma vasta gama de produtos, desde tintas para pintar a casa até brinquedos de criança e tecidos de roupas. É praticamente uma substância onipresente.

No final do ano passado, nos Estados Unidos, uma nova regulamentação que bane o triclosan e outros antissépticos de sabonetes foi proposta e reacendeu o debate sobre a questão do vasto uso indevido de algumas matérias-primas em produtos de higiene – e em todos os outros produtos. Mesmo sendo uma proibição apenas para sabonetes de uso doméstico foi considerada por cientistas e pesquisadores como um avanço importante.

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A União Europeia viu as tentativas de proibir o triclosan barradas em 2014, mas conseguiram limitar a concentração máxima para 0,2% em enxaguantes bucais e 0,3%, em alguns produtos cosméticos como pastas de dentes, sabonetes e pós faciais. No Brasil, a ANVISA também limita a concentração máxima em 0,3%, mas não dá indicações de uso nem outras guias.

 

Mas afinal, o que é o triclosan?

O triclosan é um antibactericida que foi introduzido em produtos de higiene em 1972. Na época, ele era usado apenas para uso clínico e cirúrgico. Em 1990 ele foi introduzido de maneira vasta no mercado com o principal atrativo de ter maior potencial de ‘matar bactérias’ – principalmente em sabonetes antibactericidas – e como preservativo.

Considerando que essa substância agora está em uma vasta gama de produtos que consumimos diariamente – inclusive em embalagens de comidas industrializadas (na UE, nenhum material ou utensílio que entra em contato com a comida pode conter a substância) – pesquisas encontraram triclosan na urina, plasma e leite materno.

g-1440 Suas consequências para a saúde humana.

O grande problema, e o que levou a proibição nos EUA, está relacionado com os impactos negativos do triclosan para saúde humana, incluindo sua relação com uma maior resistência bacteriana. Por exemplo, algumas pesquisas demonstraram que o uso de sabonetes bactericidas não reduzem as possibilidades de transmissão de doenças; água e sabonete comum são suficientes.

Por sua vez, os impactos do triclosan na saúde humana são desconhecidos e não é realmente possível afirmar que é um componente seguro. Testes laboratoriais já detectaram que a substância é disruptora endócrina, uma exposição longa e contínua pode causar câncer de pele, além de outros problemas.

No artigo do The Guardian, os microbiologistas Sarah Ades e Kenneth Keiler alertam para a questão da resistência bacteriana: “bactérias que são resistentes ao triclosan são mais propensas a serem também resistentes a outros antibióticos, sugerindo que a prevalência de triclosan pode espalhar uma resistência multidrogas. À medida que a resistência se espalha, não seremos capazes de matar tantos patógenos com drogas existentes”.

 

E a poluição dos mares.

Por estar presente numa vasta gama de produtos, o triclosan acaba também estando presente nos nossos esgotos – restos de produtos que descem pelos ralos das nossas casas, e de muitas indústrias diariamente. O problema é que o processo de tratamento desse esgoto não é capaz de remover o triclosan da água antes dos efluentes chegarem a rios e mares.

De golfinhos a algas, ecossistemas aquáticos estão sendo afetados pela substância. Ainda em 2009, uma pesquisa descobriu que o triclosan “está acumulando em golfinhos em concentrações conhecidas por perturbam o crescimento e desenvolvimento de outros animais. Os cientistas descobriram que um terço dos golfinhos de testados na Carolina Sul e quase um quarto daqueles testados na Florida cotinham traços de triclosan em seu sangue”. Além de impactar diretamente os animais, o triclosan é tóxico para as algas marinhas, organismos cruciais para equilíbrio da vida marinha.

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Outro ponto é que como o triclosan não pode ser totalmente removida da água, pesquisadores se preocupam em seu uso para irrigação de plantações. Um dos principais pontos é que a substância quando em contato com o solo nunca desaparece, ela ‘se quebra’ em outros componentes potencialmente mais nocivos.

 

O que fazer agora?

Manter o triclosan longe de você, sua família e dos seus animais de estimação é um começo – quando possível, opte por produtos naturais (certificados) e sem esses preservativos (tente criar o hábito de ler a embalagem). Mas é preciso também ficar de olho no tema e se mobilizar para uma proibição por parte da Anvisa – por exemplo, em julho de 2016, o Ministério Público Federal entrou com uma ação para banir o triclosan dos produtos por todas as questões expostas acima. Como a Anvisa segue os limites europeus e norte-americanos, pode ser que a proibição americana seja refletida por aqui. Esperamos e vamos nos manter atentos.

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