Afinal, o que é Permacultura?

Meio Ambiente

Afinal, o que é Permacultura?

Aposto que quando você pensa em plantações, cultivo ou fazendas, a primeira imagem que vem à cabeça é de um latifúndio. Com o cultivo de apenas um produto. Quilômetros e mais quilômetros de milho, soja, arroz, etc. E você avista aqueles aviõezinhos sobrevoando e largando um líquido sobre as plantações vibrantes e viçosas, não é? Uma cena bem típica que qualquer pessoa que já pegou as estradas do Brasil e do mundo pode observar.

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Pois bem. Você acabou de reconhecer a chamada monocultura. Uma forma moderna de cultivo que – segundo os economistas e empreendedores – é a mais lucrativa, segura e garante a qualidade uniforme de produtos.

Agora vamos pensar no avião que acabamos de ver. Sabe o que ele despeja na lavoura, não é mesmo? Milhares de litros de “defensivos químicos. Os famosos agrotóxicos. Agro-Tóxicos. Sim, sem dúvidas é assustador e tem consequências irreversíveis para a nossa saúde e para saúde no nosso planta.

Mas hoje eu só quero me atentar ao fato do porquê ele ser despejado em tamanha quantidade.

Monocultura é um prato cheio para as pragas.

Por exemplo: se uma família feliz de percevejos ou de cigarras encontra uma monocultura de milho é festa na certa. Elas tem comida abundante e condições propícias para seguir se multiplicando e comendo até que a plantação seja completamente devorada. Já que não existe alí nenhum predador natural para elas, pois as plantas e animais nativos foram exterminados para a criação das lavouras, a única solução para manter a saúde da plantação de milho, acaba sendo o pesticida químico. (Não vou nem entrar na aberração que são os transgênicos, ok? Isso fica para outra postagem.) E verdade absoluta é: estas plantações modernas são desequilibradas e a solução encontrada foi o agrotóxico.

Daí você se pergunta: “Mas como faz para plantar em grande quantidade, sem desequilibrar a natureza e não usar mais pesticidas?”

Tenho uma boa notícia. Nos anos 70 dois australianos encontraram a solução. A Permacultura.

Bill Mollison e David Holmgren pensaram que a melhor solução seria criar sistemas de florestas produtivas para substituir as monoculturas de trigo e soja, responsáveis pelo desmatamento mundial. Observando e imitando as formas de florestas naturais do lugar, revelou-se possível a criação de sistemas altamente produtivos, estáveis e que recuperariam os ecossistemas locais, com sustentabilidade ecológica.

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Originalmente, o termo foi criado a partir da contração de duas palavras: Permanent e Agriculture. Ou seja, agricultura permanente. Entretanto, eles notaram que esta solução poderia ser usada para definir a existência harmônica em qualquer aspcto: jardins, plantações, aldeias, comunidades e outros incontáveis ambientes sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis. Atualmente, o conceito se ampliou para permanent culture (cultura permanente). A sustentabilidade ecológica, ideia inicial, estendeu-se à sustentabilidade dos assentamentos humanos locais.

Não é um conceito muito simples de se explicar, mas aqui vai uma citação do Bill que tenta esclarecer um pouco:

Permacultura é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza. -Bill Mollison

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Acima de tudo, a ética é a questão mais valorizada dentro do sistema de Permacultura e está descrita através dos três pilares abaixo:
-Cuidar da Terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continuem e se multipliquem. Este é o primeiro princípio, porque sem uma terra saudável, os seres humanos não podem exercer suas qualidades.
-Cuidar das Pessoas: Provisão para que as pessoas acessem os recursos necessários para sua existência.
-Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir os outros. Nós, os seres humanos, podemos fazer o mesmo, compartilhando os excedentes, inclusive os conhecimentos.

E estes são os 12 princípios de design da Permacultura articulados por David:

  1. Observe e interaja: Alocando tempo para engajar-nos com a natureza, podemos desenhar soluções adequadas à nossa situação particular.
  2. Capte e armazene energia: Desenvolvendo sistemas que coletem recursos que estejam no pico de abundância, podemos utilizá-los quando houver necessidade.
  3. Obtenha rendimento: Assegure-se de que esteja obtendo recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que você está fazendo.
  4. Pratique auto-regulação e aceite retornos: Precisamos desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem.
  5. Utilize e valorize recursos e serviços renováveis: Faça o melhor uso da abundância da natureza para reduzir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não renováveis.
  6. Evite o desperdício: Valorizando e fazendo uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, nada será desperdiçado.
  7. Projete dos padrões aos detalhes: Dando um passo atrás, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes padrões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sendo preenchidos conforme avançamos.
  8. Integrar ao invés de segregar: Colocando as coisas certas no local certo, fazemos com que as relações entre uma e outra se desenvolvam e elas passam a trabalhar juntas para ajudar uma à outra.
  9. Utilize soluções pequenas e lentas: Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas grandes, fazendo uso mais adequado de recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.
  10. Utilize e valorize a diversidade: A diversidade reduz a vulnerabilidade à uma variedade de ameaças e tira vantagem da natureza única do ambiente na qual reside.
  11. Utilize bordas e valorize elementos marginais: A interface entre as coisas é onde os eventos mais interessantes ocorrem. É onde frequentemente estão os elementos mais valiosos, diversificados e produtivos de um sistema.
  12. Utilize e responda criativamente às mudanças: Podemos ter um impacto positivo nas mudanças inevitáveis se as observarmos com atenção e intervirmos no momento certo.

 

Podemos visualizar as aplicações da Permacultura nas imagens abaixo:

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Entretanto, a Permacultura não é somente um método para planejar sistemas. Ela nos ensina lições valiosíssimas. Como fazer o constante exercício de observar a rede em que estamos inseridos e as correlações entre todos os seus componentes. E pode ser aplicado tanto no planejamento de um sistema florestal, como no mundo empresarial com os stakeholders e mercado financeiro.

Nos estimula a pensar em novas soluções para o planejamento, a gestão e melhorar o aproveitamento de toda a sociedade para um futuro sustentável.

E acima de tudo, nos mostra que precisamos de permanência. Que temos que  estabelecer em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos. Conectando as novas tecnologias aos conhecimentos ancestrais seculares e intuitivos para preservar e minimizar o nosso impacto sobre a Terra visando as futuras gerações. Um forma holística de olhar para o todo o universo.

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Hoje a permacultura conta com mais de 10.000 praticantes em todos os continentes e mais de 220 professores trabalhando em tempo integral. Ela chegou no Brasil através do primeiro curso dado por Bill Mollison, em Porto Alegre. Hoje existe uma equipe de profissionais – agrônomos, engenheiros, arquitetos, etc. – que estão se aprofundando nestas idéias e que já fundaram o primeiro sistema LETS de troca de serviços da América Latina.

Se você quer continuar lendo sobre a Permacultura, acesse o pdf do livro de Bill sobre Introdução à Permacultura clicando aqui! 

 

 

 

 

Paola Salerno Troian

Paola Salerno Troian

Cozinheira de formação, hortelã por intuição, cineasta e jornalista. Capricorniana com ascendente em aquário. Criadora do site agringa.com, antigo Gringa do Dedo Verde, onde fala sobre hortas caseiras e comunitárias, sua paixão pelas PANCs, alimentação orgânica, ações de zero-desperdício, consumo consciente, fomento da agricultura orgânica e comércio justo.