Afinal, é melhor comprar saco de lixo ou usar o do mercado?

Meio Ambiente

Afinal, é melhor comprar saco de lixo ou usar o do mercado?

O plástico é um problema ambiental, isso todo mundo já tá sabendo. Falamos aqui de alguns dados bem assustadores, como o que diz que 80% do lixo nos oceanos é plástico. Também falamos sobre os canudinhos e sobre separação de resíduos e reciclagem. Mas ainda não conversamos sobre um grande problema a ser vencido: a famigerada sacola de lixo.

 

Uma discussão muito comum: por que comprar saco de lixo se eu já ganho “de graça” no supermercado? Bom, pra começar, pense que segundo o Ministério do Meio Ambiente, 1,5 milhões de sacolas de plástico são distribuídas por hora aqui no Brasil. E o destino da grande maioria delas é virar saquinho de lixo. E depois esse saquinho vai para o aterro. E por lá fica pelos próximos 300 a 500 anos – se tudo der certo. Porque ele pode muito bem sair voando e ir parar na copa de uma árvore ou ser confundido com alimento boiando na água e sufocar peixes e outros animais marinhos.

 

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Esses números tem que diminuir com urgência, então a primeira coisa é levar a ecobag e recusar a sacola. Mas mesmo assim, por menos lixo que você produza em casa, acaba tendo que jogar coisas fora em algum momento, a gente entende. Então, quando não tem jeito e você precisa usar uma sacola de lixo, é bom conhecer os tipos de plástico pra fazer a melhor escolha:

 

As sacolas convencionais são aquelas que com certeza você tem que evitar, ponto. São feitas de polietileno, derivado do petróleo, recurso natural não-renovável. Demoram séculos para se decompor (de 300 a 500 anos) e são as causadoras de vários problemas ambientais que a gente já citou lá em cima e muitos outros. Os aterros sanitários estão superlotados com essas sacolinhas, que são super resistentes e impermeabilizam o solo, dificultando a biodegradação dos resíduos orgânicos. Elas ainda favorecem a formação de bolsões de gás metano (mais de 20x mais nocivo para a camada de ozônio do que o CO2). A gente podia ficar dias citando coisas ruins, mas provavelmente você já entendeu, né? Plástico convencional não, por favor.

 

Aí tem o plástico biodegradável, o PLA, que se decompõe depois de dois meses de descarte e é digerido por microorganismos. Parece ótimo, mas o problema é que esse tipo de plástico precisa ser descartado e processado de forma correta pra que se decomponha direitinho. Se for jogado em um lixão comum pode acabar também produzindo metano. E aí vale lembrar que  mais de 90% das cidades brasileiras não possuem aterros sanitários adequados.

 

Outro material muito falado é o polietileno verde, ou o plástico verde. Ele é feito de etanol de cana-de-açúcar. Um grande diferencial desse material é que ele captura de CO2 da atmosfera, que ajuda na redução dos gases do efeito estufa. Cada quilo de plástico verde produzido captura 2,5 quilos de gás carbônico. Mas ele não é biodegradável, então tem que ser reciclado. Se for parar em um aterro, vai ficar por lá por muito tempo junto com o plástico comum.

 

Os plásticos orgânicos são feitos de resinas de amido de milho, batata e mandioca. Esse se decompõe em até 120 dias e o que sobra ainda pode ser usado como adubo, o que, mais uma vez, parece ótimo. Mas essas resinas naturais geralmente são misturados ao plástico sintético puro no momento da produção. Então, depois que o amido sumir vão sobrar pedacinhos de plástico, que podem se depositar em fundos de rios ou serem comidos por peixes, por exemplo.

 

Tem o plástico oxi-biodegradável, que usa um aditivo químico para estimular o processo de degradação. A vida útil dessa sacola é de 2 anos e os fabricantes garantem que ao final da decomposição, o que sobra é água, húmus e CO2. Mas esse material ainda está em debate, pois tem estudos dizendo que ele deixa resíduos químicos no solo e se fragmenta em pedaços pequenos que não são visíveis nem processados pelos microorganismos. De todos, esse parece o mais promissor, mas ainda faltam pesquisas que garantam a eficiência.

 

Bom, depois disso tudo a impressão que dá é que não tem pra onde correr, né? A verdade é que cada uma dessas sacolas tem vantagens e desvantagens, mas a real é que precisamos reduzir o uso de plástico, seja qual for.  Você pode usar caixas de papelão (os supermercados doam caixas, é só pedir) para colocar o seu resíduo reciclável ao invés de usar sacolas, por exemplo. O grande problema fica com o resíduo orgânico. Considere fazer compostagem – pode reduzir em até 50% o volume desse lixo. No caso do lixo do banheiro, dobraduras com folhas de jornal podem criar ótimos sacos.

 

Mas se mesmo assim você precisar usar sacolas em algum momento, lembre que no caso do lixo orgânico, ela não será reciclada, pois irá para um aterro. Então dê preferência aos materiais que se degradam mais rapidamente. E lembre de sempre usar toda a capacidade da sacola. Um sacolão é melhor do que 20 sacolinhas umas dentro das outras ;)


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